segunda-feira, 20 de setembro de 2010

. o amor .

Um dia, quem sabe, ela, que também gostava de bichos, apareça numa alameda do zôo, sorridente, tal como agora está no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la.

Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame de mil nadas, que dilaceravam o coração.
Então, de todo amor não terminado seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo quotidiano!

Ressuscita-me, nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!

Para que o amor não seja mais escravo de casamentos, concupiscência, salários.
Para que, maldizendo os leitos, saltando dos coxins, o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia, que o sofrimento degrada, não vos seja chorado, mendigado.

E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver livre dos nichos das casas.
Para que doravante a família seja o pai, pelo menos o Universo, a mãe, pelo menos a Terra.

Maiakóvski.

4 comentários:

camilla minhamenina disse...

..sempre queremos "ele"..

xthingswesayx disse...

maiakovski, cá, é um dos poetas mais lindos que existem.
leia, vc vai gostar. certeza!

xthingswesayx disse...

existiram. haushaus

camilla disse...

ja vi mesmo vc comentar coisinhas dele.. e andei curtindo!!

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